Não porque tudo está perfeito, mas porque já não existe guerra dentro de nós.
É o auge da maturidade: quando o mundo deixa de ser ameaça e passa a ser cenário; quando o tempo deixa de ser inimigo e se torna aliado; quando o coração, antes tão cheio de urgências, aprende a respirar devagar.
Caminho leve, porque deixei para trás o que não era meu.
Caminho inteira, porque acolhi o que sempre foi.A alma limpa não é ausência de história — é a história finalmente compreendida.
É o trauma que perdeu o peso.
É a dor que virou sabedoria.
É o passado que deixou de comandar o presente.E é por isso que escrevo: para lembrar que cuidar do estado de espírito é tão vital quanto cuidar do corpo.
Que olhar para dentro não é fraqueza — é coragem.
Que curar-se não é apagar o que aconteceu — é permitir que a vida siga sem carregar o que já não precisa ser carregado.A paz não chega de repente.
Ela é construída, lapidada, conquistada.
E quando enfim se instala, ela nos ensina que viver é menos sobre controlar e mais sobre permitir.
Menos sobre esperar e mais sobre sentir.
Menos sobre sobreviver e mais sobre existir.Que cada pessoa encontre seu próprio caminho para esse lugar.
Que cada alma descubra seu ritmo, seu tempo, sua cura.
E que a maturidade, quando chegar, seja esse abraço silencioso que diz:
“Agora você pode descansar dentro de si."



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